quinta-feira, 20 de maio de 2010

O Padre e a Comunicação

Dentre tantas celebrações e eventos neste mês de maio, demonstrando a riqueza de nossa caminhada eclesial na história, temos, também a comemoração de um dia especial para reflexão sobre as comunicações sociais, jornada que foi desejada pelo decreto “Inter Mirifica” do Concílio Vaticano II – que é o único dia especial criado nos documentos conciliares para ser festivamente celebrado e refletido em nossas comunidades. O documento conciliar é um passo importante na tomada de posição da Igreja Católica com relação às comunicações, escrito há quase cinquenta anos. Graças à sobriedade deste documento, ele se colocou como intermediário entre épocas diferentes e abriu as portas para os desafios vindouros neste importante e multifacetado campo das comunicações sociais.

No Brasil comemoramos o Dia Nacional das Comunicações a 5 de maio e, como Igreja, nós celebramos o Dia Mundial, aqui no Brasil, no Domingo da Ascensão do Senhor, neste ano no dia 16 de maio, quando então celebraremos o 44º Dia Mundial das Comunicações Sociais. Sabemos quão importante são os meios de comunicação, sobretudo nestes últimos tempos,quando cada vez mais se propaga a tecnologia e a utilização de métodos sofisticados e modernos. Com esse avanço técno-científíco, a Igreja também tem que saber utilizar destes bons e confiáveis métodos para continuar a sua missão, que é “Anunciar a Palavra de Deus a todos os povos”.

É importante frisar que a mídia não substitui a participação pessoal em nossas comunidades e nos sacramentos, assim como supõe uma vida coerente daquele que a utiliza, pois transmitimos os valores também através do tom de voz, dos gestos, dos olhos, da escolha de textos, da maneira como comunicamos. Embora existam muitas ferramentas tecnológicas que tendem a disfarçar muitas realidades, no entanto, o ser humano tem uma comunicação que vai além das palavras, mesmo eletrônicas, que chegam ao coração das pessoas. Por isso, trabalhar com os meios de comunicações supõe uma conversão pessoal ainda mais profunda e sincera.

Para este ano, o Papa Bento XVI escreveu uma mensagem que tem o seguinte tema: “O sacerdote e a pastoral no mundo digital: as novas mídias a serviço da Palavra”. Com estas palavras o Papa quis fazer uma relação do Ano Sacerdotal, o qual estamos celebrando com esta mensagem sobre a comunicação, pois o padre deve ser um bom comunicador a exemplo de Nosso Senhor Jesus Cristo que comunicou o Pai. Assim, os padres têm como papel fundamental anunciar Cristo, Palavra de Deus encarnada, e “comunicar a multiforme graça divina portadora de salvação mediante os sacramentos. Convocada pela Palavra, a Igreja coloca-se como sinal e instrumento da comunhão que Deus realiza com o homem e que todo sacerdote é chamado a edificar n’Ele e com Ele”. (Mensagem do Papa Bento XVI para o 44º Dia Mundial das comunicações.)

Para dar respostas adequadas às várias questões no âmbito das grandes mudanças culturais, particularmente sentida no mundo juvenil, tornam-se um instrumento útil as vias de comunicação abertas pelas conquistas tecnológicas. Colocando à nossa disposição meios que permitem uma capacidade de expressão praticamente ilimitada, o mundo digital abre perspectivas e concretizações notáveis ao incitamento paulino: “Ai de mim se não anunciar o Evangelho!” (1Cor 9,16). Diante disso, o padre acaba por encontrar-se como que no limiar de uma “história nova”, porque quanto mais intensas forem as relações criadas pelas modernas tecnologias e mais ampliadas forem as fronteiras pelo mundo digital, tanto mais o sacerdote será chamado a ocupar-se disso pastoralmente, multiplicando o seu empenho em colocar a tecnologia a serviço da Palavra de Deus.

A coragem de estar presente nos “meios de comunicação” e em especial hoje com as novas ferramentas digitais, deve ser para o padre, mas também para todo cristão, um desafio constante. No “território livre” da internet encontramos as mais variadas, complexas e bizarras opiniões. Muitas vezes faltam as ideias e opiniões que realmente traduzam o pensamento de Cristo, do Evangelho, da Igreja. Existe muita desinformação sobre muitos aspectos do trabalho eclesial, e com os “preconceitos” que hoje grassam pela mídia, também com relação à fé e à religião, e, se não estivermos presentes, estaremos nos omitindo em uma grande missão que nos compete. O tema que o Papa Bento XVI escolheu na festa dos Arcanjos Gabriel, Rafael e Miguel e publicou no Dia de São Francisco de Sales e que neste domingo é comemorado deve ser aprofundado e trabalhado ainda mais em nossas comunidades.

Quando falamos de comunicação, lembramos que ela não se resume “aos meios”, mas é um “processo” humano importante. E aprofundando todo esse caminho, a Igreja procura tanto formar o seu povo para um correto uso como também quer ajudar profeticamente a sociedade humana a refletir sobre o como está hoje utilizando a mídia. A maioria dos governos procura, seja por legislação impositiva, seja por pressão ditatorial, seja pela economia controlar os meios de comunicação. De outro lado, nem sempre o nosso povo é formado para uma “leitura crítica da comunicação” e acaba absorvendo tudo o que é inserido na mídia, como se fossem “verdades” incontestáveis. Depois de passarmos por uma etapa onde a leitura de textos era muito valorizada e discutida, fomos para os resumos e com letras maiores para chegarmos à ilustração com fotografias ou com imagens como fundamentais para a comunicação. Hoje estamos na cultura das “manchetes”, cientificamente trabalhadas e escolhidas por especialistas para causar impacto, seja para as vendas ou audiências maiores, ou para impor ideias ou culturas. Muitas regiões do mundo tomam conhecimento de assuntos que ocorrem distantes de seu local de habitação apenas pelo filtro da manchete “pinçada” de um texto maior que nem sempre retrata exatamente a ideia do proponente. Este é um dos temas que é importante discutir e comentar nestes tempos dominados pela mídia que, junto com um belo e importante trabalho, luta também para poder sustentar-se e ser realmente “livre”. Uma das grandes discussões que ora ocorre em nosso país é justamente sobre a “liberdade de imprensa”, quando ideias antagônicas se contrapõem na defesa ou condenação dos termos do PNDH 3, mesmo depois da publicação das propostas de modificações. Não podemos simplesmente ou sentimentalmente defender ou condenar posições e, sim, com ideias claras e objetivas discutir com seriedade o assunto e discernir o que queremos para o futuro de nossa nação.

Quantos documentos nestes últimos tempos nos falam sobre o Evangelizar com novos métodos, pois eis os novos métodos e as novas formas: os meios de comunicação. Temos que utilizar destes meios da melhor forma possível para, através da rádio, Televisão, Internet e outros meios fazer com que a Palavra de Deus chegue a todos aqueles que ainda não a conhecem, mas também àqueles que conhecem para nutrir-se cada vez mais da sua espiritualidade.

O padre, através dos meios de comunicação, poderá dar a conhecer a vida da Igreja e ajudar os homens de hoje a descobrirem o rosto de Cristo, conjugando o uso oportuno e competente de tais meios adquiridos já no período de sua formação no seminário e ainda a sua formação posterior, com uma sólida preparação espiritual, teológica e humana. Dessa maneira, a tarefa do consagrado é aplainar as estradas para os novos encontros, assegurando sempre a qualidade do contato humano e a atenção às pessoas e às suas verdadeiras necessidades espirituais para reconhecerem o Senhor; dando-lhes a oportunidade de se educarem para a expectativa e a esperança, abeirando-se da palavra de Deus que salva e favorece o desenvolvimento integral.

Portanto, as novas mídias oferecem aos padres e a todo povo fiel perspectivas sempre novas e, pastoralmente, ilimitadas, que solicitam a valorizar a dimensão universal da Igreja para a comunhão ampla e concreta; a ser no mundo de hoje testemunhas da vida sempre nova, gerada pela escuta do Evangelho de Jesus, o Filho eterno que veio ao nosso meio para nos salvar. O Papa termina a sua mensagem dizendo que: “é preciso não esquecer que a fecundidade do ministério sacerdotal deriva primariamente de Cristo encontrado na oração, anunciado com a pregação e o testemunho da vida, conhecido, amado e celebrado nos Sacramentos, sobretudo da Santíssima Eucaristia e Reconciliação”.

Os meus cumprimentos a todos os comunicadores e, em especial, aos membros das “Pascons” de todas as comunidades que celebram nestes dias suas semanas ou dias de reflexão sobre o tema do Dia Mundial. Que o Senhor nos ilumine e nos ajude a construirmos um mundo mais justo e humano com o nosso trabalho através da utilização desses instrumentos que, se bem utilizados, podem ajudar o presente e o futuro da humanidade.

Fonte: D. Orani João Tempesta, O. Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ
Presidente da Comissão Episcopal para a Cultura, Educação e Comunicação da CNBB

Procura-se Catequista - A Pessoa do Catequista




O catequista perfeito não existe. Como todo cristão, precisa de formação perma­nente. O perfil de catequista é moldado na formação e na prática que vai adquirindo na caminhada, assumindo a vocação do batismo de anunciar o Reino de Deus, lembrando que, antes de evangelizar, deve se deixar evangelizar.

O catequista deve ser conscien­te da missão e, ao assumir a catequese na comunida­de, sentir-se pessoa integrada na comunidade, caminhar com ela, estar sensível aos seus problemas, desenvolvendo a consciência crítica diante de fatos e acontecimentos, que levem a comunidade à reflexão sobre a sua realidade, a partir de uma espiritualidade profunda de adesão a Jesus Cristo e à Igreja.

Deve ser uma pes­soa de oração e alimentar sua vida com a Palavra de Deus e com a Eucaristia para ajudar a si mesmo e à comunidade a libertar-se do egoísmo, do pecado, e levá-la à celebração da vida na Liturgia.

O catequista precisa ser uma pessoa psicologicamente equilibrada, que sabe trabalhar em equipe, seja criativo, responsável, pontual, perseverante e tenha uma certa liderança.

Deve ter amor aos catequizandos e ter algumas noções de psicologia, didática, metodologia e técnica de grupo, e sentir dentro de si o ardor da vocação. Sem essa vocação, logo desanimará diante das exigên­cias da ação catequética.

Nunca pode dizer que está pronto para sua tarefa, planejando e programando com o grupo de catequistas; participar de encontros na própria comu­nidade, paróquia ou fora; atualizar-se sempre, estudando os documentos orientativos da Igreja sobre catequese e outros assuntos atuais.

São desafios para a catequese não infantilizar a evangelização, reconhecer a experiência rica e diversificada da caminhada do Povo de Deus, reconhecer o catequizando como interlocutor e propor uma catequese vivencial, personalizada, que busca respostas de fé.

No dia 30 de agosto celebramos o Dia do Catequista, oportunidade das nossas comunidades refletirem e celebrarem a vocação e missão do catequista, de modo especial, no Ano Catequético. Inspirados pela experiência de Emaús, queremos aprofundar a vocação do discípulo missionário que encontra o Ressuscitado no caminho, na palavra e na Eucaristia.

Fonte: Manuel Freixo dos Santos

Coordenação de Catequese do Regional Oeste I (MS)

Domingo de Pentecostes - 23/05



DOMINGO DE PENTECOSTES (23.05.10)
At 2, 1-11
“Todos ficaram repletos do Espírito Santo”

A liturgia deste dia nos descreve a descida do Espírito Santo sobre a comunidade dos discípulos, em duas tradições - as de Lucas (Atos) e da Comunidade do Discípulo Amado (João 20). Salta aos olhos que uma leitura fundamentalista da bíblia - infelizmente ainda muito comum entre nós - leva a gente a um beco sem saída, pois no Evangelho de João, a Ressurreição, a Ascensão e a descida do Espírito se deram no mesmo dia (Páscoa), enquanto Lucas separa os três eventos, dentro de um período de cinqüenta dias. Por isso devemos ler os textos dentro dos interesses teológicos dos diversos autores - os 40 dias de Lucas, por exemplo, entre a Ressurreição e a Ascensão, correspondem aos 40 dias da preparação de Jesus no deserto, para a sua missão. Pois, como Jesus ficou “repleto do Espírito Santo” (Lc 4,1) e se lançou na sua missão “com a força do Espírito” (Lc 4, 14), a comunidade cristã se preparou durante o mesmo período, e na festa judaica de Pentecostes também experimentou que “todos ficaram repletos do Espírito Santo” (At 2,4).

Uma leitura superficial do texto de Atos dá a impressão de um relato uniforme e coeso - mas isso se deve à habilidade literária do autor. Na verdade, ele costurou um relato só, tecendo elementos de duas tradições. Uma leitura cuidadosa nos mostra essas duas tradições: a primeira está nos vv. 1-4, uma tradição mais antiga e apocalíptica; a segunda está nos vv. 5-11, mais profética e missionária.

Nos primeiros versículos, estamos no ambiente de uma casa, onde os discípulos se reuniram. Atos nos faz lembrar que estavam reunidos três grupos distintos, os Onze, as mulheres, entre as quais Maria, a mãe de Jesus, e os irmãos do Senhor. Embora talvez representem três tradições cristológicas diferentes no tempo de Lucas, ele faz questão de enfatizar que todos estavam reunidos com “os mesmos sentimentos, e eram, assíduos na oração” (At 1,14). Quer dizer, a descida do Espírito não é algo mágico, mas consequência da unidade na fé e no seguimento do projeto de Jesus.

O primeiro relato (vv 1-4) usa imagens apocalípticas, símbolos da teofania, ou da manifestação da presença de Deus - o som de um vendaval e as línguas de fogo. A expressão externa da descida do Espírito é o “falar em outras línguas” (não o “falar em línguas” - glossolalia - tão valorizado por muitos grupos de cunho neo-pentecostal).

A segunda tradição muda o enfoque. O ambiente muda da casa para um lugar público - provavelmente o pátio do Templo. O sinal visível da presença do Espírito não é mais o falar em outras línguas, mas o fato que todos os presentes pudessem “ouvir, na sua própria língua, os discípulos falarem” (At 1, 6). O termo “ouvir” aqui implica também “compreender”. Três vezes o relato destaca o fato dos presentes poderem “ouvir” na sua própria língua (vv. 6.8.11). Assim, Lucas quer enfatizar que o dom do Espírito Santo tem um objetivo missionário e profético - de fazer com que toda a humanidade possa ouvir e compreender a nova linguagem, que une todas as raças e culturas - ou seja, a do amor, da solidariedade, do projeto de Jesus, do Reino de Deus.

A lista dos presentes tem um sentido especial - estão mencionadas raças, áreas geográficas, culturas e religiões. Todos ouvem as maravilhas do Senhor. Assim, Lucas ensina que a aceitação do Evangelho não exige o abandono da identidade cultural. Contesta a dominação cultural, ou seja, a identificação do Evangelho com uma cultura específica. Durante séculos, este fato foi esquecido nas Igrejas, e identificava-se o Evangelho com a sua expressão cultural européia. Nos últimos anos, a Igreja tem insistido muito na necessidade da “inculturação”, de anunciar e vivenciar a mensagem de Jesus dentro das expressões culturais das diversas raças e etnias. O texto é uma releitura da Torre de Babel, onde a língua única era o instrumento de um projeto de dominação (uma torre até o céu!) que foi destruído por Deus pela diversidade de línguas. Nenhuma cultura ou etnia pode identificar o Evangelho com a sua expressão cultural dele.

Hoje é uma grande festa missionária. Marca a transformação da Igreja de uma seita judaica em uma comunidade universal, missionária, mas, não proselitista, comprometida com a construção do Reino de Deus “até os confins da terra”. Lucas insiste que a experiência de Pentecostes não se limita a um evento - é uma experiência contínua - por isso relata novas descidas do Espírito Santo: em uma comunidade em oração dentro de uma casa (At 4, 31), sobre os samaritanos (At 8, 17), e, para o espanto dos judeu-cristãos ortodoxos, sobre os pagãos na casa do Cornélio (At 10, 4). Pois o Espírito Santo sopra onde quer, sobre quem quer, em favor do Reino de Deus. Aprendamos do texto de Atos, e celebremos a nossa vocação missionária, não a de falar em línguas, mas de falar a língua única do amor e do compromisso com o Reino, para que a mensagem do Evangelho penetre todos os povos, culturas, raças e etnias.

Fonte: Tomas Hughes, SVD.
Pe. Tomaz Hughes é Missionário do Verbo Divino, Irlandês, Membro da Província SVD Brasil Sul.É coordenador do Apostolado Bíblico na Zona Panam e no Brasil. Reside em Curitiba/PR.
E-mail: thughes@netpar.com.br
Revisão gráfica: Pe. Lourenço Mika CM

quarta-feira, 19 de maio de 2010

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Aguardem!!!

Bom dia caros leitores do Blog da Crisma, infelizmente estaremos entrando em um periodo sem postagens a partir de hoje dia 12/05/2010, até o dia 19/05/2010, neste sete dias iremos preparar muitas atualização e a nossa nova promoção, então não deixe de nos visitar após este periodo!!

Abraços e a Paz de Cristo

São os votos da Família Tudo Junto e Misturado